09JunCarta aberta aos vendedores

Caros vendores, deixe-me apresentar à vocês: meu nome é jéssica, tenho 21 anos e uma preguiça muito maior do que vocês imaginam. muito maior do que foi permitido à qualquer geração pré-internet.

Eu aprendi à comparar preços usando buscapé ou reordenando a lista do mercado livre. Eu pago taxa de delivery para a comida vir até mim. No natal, quanto todo mundo briga no estacionamento do shopping, eu sento e espero que o carteiro me traga os presentes que comprei sentada no sofá de casa. Eu faço com que as coisas mais fúteis saiam dos USA e chegem à portaria do meu prédio só mexendo a mão direita. Quando essas quinquilharias empoeiram ou se espalham pela casa, eu não faço nada à respeito, eu terceirizei todas as tarefas domésticas. E só cuido das minhas próprias nerdices porque gosto mas se quisesse um personal nerd, contratava esse.
E no fim do mês tenho de pagar por tudo isso, o debito automático paga para mim. Então, caros vendedores, percebam que o que eu mais compro não são livros ou roupas ou jóias, meu produto favorito é comodidade.

E por gostar tanto dela, sofro horrores na hora de comprar serviços. Pedi uma cotação de um plano de saúde com determinadas características e recebi de volta uns 5 PDFs com o preço de todos os planos de saúde de algumas empresas. Os mesmos PDFs que acho numa busca online de 2 minutos. Para que eu preciso pagar comissão à um vendedor que faz o mesmo que o google?

Mesmo estando disposta à gastar uns trocos extras em algum conforto na contratação de serviços, para alguém analisar o que eu preciso e o que o mercado oferece, ninguém parece querer estes trocos. os vendedores devem ter todos enriquecido antes de mim e desistiram de trabalhar duro…

A impressão que eu tenho é que no Brasil só há o mercado “povão”, onde se tem atendimento meia-boca e custos baixos e acessíveis, e atendimento ultra-exclusivo para quem é muito rico e não liga para o preço de nada ou que tem uma secretária para fazer o trabalho duro de cotar e comparar, que eu esperava que profissionais especializados fizessem por nós, pessoas que têm tempo curto, dinheiro extra e disposição em gasta-lo com conforto, e hoje em dia não conseguem. Eu cheguei a pensar que era minha herança duma vida anteriormente modesta, a falta de saber onde procurar mas conversando com outras pessoas na minha situação, parece que polarizaram o mundo consumidor em pobre e rico.

E sigo insatisfeita, consumindo serviços fuleiros, reclamando deles e mantendo na minha conta bancária, caro vendedor, dinheiro que poderiam estar no seu bolso.

15MayE você, o que acha?

eu sempre tive ODIO de gente palpitando sobre a minha vida, especialmente quando eu não estava por perto para rebater. me nauseava alguém dizendo o que achava que eu deveria fazer ou não, como, por que e blábláblá. me tirava do sério, já que eu sempre ralei para caramba e acreditei estar fazendo as coisas certas, não precisava de um monte de pentelho mal informado palpitando.

Embora não tire o mérito de alguns conselhos, aqueles que são ditos pessoalmente, tenho minhas provas de que segui bem não ouvindo os palpiteiros e que fiz tudinho do jeito certo. A principal prova é que hoje eu não tenho absolutamente nada do que reclamar: “dinheiro, trabalho, sorte no amor e no jogo” e outras coisas que os anuncios de mandingas vendem, eu tenho em quantidades satisfatórias. bom, tenho uma gata que me odeia, mas isso é outro papo…

Só que depois de tanto tempo reclamando de quando transformavam minha vida em tema de debate, justamente por meu atual contentamento com a dita, somado à vasta experiencia desses 21 anos, 2 meias faculdades, vários empregos e incontáveis causos para contar, eu virei exatamente uma pentelha palpiteira! No começo me pareceu incoerente mas é meio óbvio até: já que fiz tudo como achei que deveria e até hoje deu tudo certo, deduzo que eu sei sobre como botar a vida para funcionar bem com médio esforço. e se eu sei tudo isso, as pessoas deveriam me ouvir :)

Pior ainda: ainda não superei minha própria birra com palpites. Um dia desses me disseram que “estivemos conversando sobre como você deveria (…)” e o primeiro pensamento que me veio foi carregado de raiva. O segundo, atangonico, foi a vontade de dizer para o tal sujeito ‘fazer melhor’ antes, e mais! como o assunto era relacionado à trabalho, tracei mentalmente na mesma hora todas ações que o sujeito deveria tomar para ter uma carreira que eu aprovasse, antes de dar palpite na minha.

Não foi intencional mas virou quase um tique, um habito feio tipo cutucar o nariz ou escrever sem acento =P. Até queria parar de palpitar aos 4 ventos e compilar os palpites todos num livro de auto-ajuda mas não me contenho. É só alguém manifestar o mínimo descontentamento perto de mim que eu já elaboro meios de resolver todo e qualquer problema. No começo com uma sugestãozinha aqui e alí só para os cunhados, que são sempre alvo fácil (isso é sempre válido e sempre reciproco) mas agora percebo que se continuar treinando tanto, em alguns anos estarei plenamente apta decidir por meus genros\noras toda a vida deles.

“Jess, você virou um monstro!!!!”

É, eu sei. =( Acho que nem quando descobri que gostava de rúcula depois de uma infância onde não comia nem gelatina verde me senti tão auto-sabotada. E não consigo nem fingir arrependimento. Passei do passo 1 de admitir o fato mas não vejo o problema de verdade. Eu não quero mais parar! Até porque, senão quais serão minhas conversas nas reuniões de família?

Bom, se quiserem praticar o fino esporte da palpitagem, a caixa de comentários está ai para isso :)

13MarCrianças e Tropa de Elite?

Eu não sou um bom exemplo de dotes maternais. Não tenho filhos, não ajudei na educação de nenhum irmão\primo\sobrinho… alias, nunca convivi muito com crianças depois que meus amigos e eu deixamos de se-lo. Mas acho que eu tenho uma boa noção de "Dos and Don’ts" com crianças.  E também acho que estou cercada de gente que não tem.

Sábado, 18h começou uma festa de criança no prédio em que moro. Estranhei o horário mas como as crianças tinham uma média de 7 ou 8 anos, não me pareceu inadequado, só inconvencional. Cruzei os dedos e esperei que a músicas parassem antes das 22h.

E, bom, música…! Quando eu era crianças nas festinhas tocava Xuxa, Chiquititas, músicas do Pokemon e Cavaleiros do Zodiaco, Spice Girls, Backstreet Boys e outras pop-zices. Mas 10 anos se passaram e hoje eu esperava que em festa de crianças tocasse Rebeldes, High School Musical, Puff Amy Yummy, Ivete Sangalo, coisas assim.  mas contrariando as expectativas, a festa começou com hinos de time de futebol. Festa de menino, ok. E o que veio depois? O Funk do filme Tropa de Elite.

Me parece óbvio Tropa de Elite não é um filme para crianças. Meu argumento mais simples para isso é que no filme o bem não ganha no final porque não há bem algum e em resumo, ninguém alí serve de bom exemplo e na falta de um herói, qualquer um pode acabar virando exemplo.

Claro, crianças são espertas e acabam tendo acesso à muito mais coisas do que o que lhes é adequado. Internet, escola, amigos, pais que saem para trabalhar, tudo é chance de conseguir uma cópia do filme e assisir ou de baixar o funk. Acontece, é normal. Além do que, o funk teve a ajuda de vários carros com som potente para se espalhar muito mais que o filme.

Mas tem uma diferença enorme entre essas situações acima e pais que expõem seus filhos voluntáriamente à uma música chamada Funk das Armas, escrita em uma variação bizarra do que seria portugês português e com uma témática bandida e violenta (veja aqui a letra).

Será que virei careta antes mesmo dos 30? Estou sendo exagerada, reaça, paranóica? Ou será que o mundo anda tão errado que pouca gente percebeu?

03MarTrabalhando fora da empresa sem ficar isolado

Quem é profissional de tecnologia sempre imagina a possibilidade de trabalhar de casa, seja como freelance ou como empregado de uma empresa trabalhando remotamente. Eu nunca tive essa oportunidade por mais que alguns dias (ok, eu nem tinha residência fixa ano atrás).

Aprendi com a minha mãe, que tem uma empresa em casa há no mínimo 7 anos (ou mais), que é preciso tomar cuidado com disciplina e separação, que atender telefonema de cliente de domingo é errado, tão errado quanto estar na cama as 11 da manhã duma quarta-feira. E que ainda assim, as vezes acontece. Porém ela trabalha com prestação de serviços e passa o dia falando com clientes e gente daqui e lá, visita clientes e fornecedores, interage com humanos.

Eu, que se fosse um dia trabalhar de casa ia interagir com bem menos gente, me preocupo sempre com essa questão do isolamento. Acho que ia me fazer mal ficar o tempo todo em casa e penso em alternativas para interagir com mais gente. A alternativa que mais me anima é aproveitar o tempo que economizaria de transporte e usar para fazer um curso divertido qualquer, como artesanato ou francês: isso garante conhecer gente com pelo menos um interesse em comum. Pensei em outras coisas, como trabalhar de vez em quando do escritório do cliente ou de algum local público com internet e se não interagir com, ao menos ver pessoas. Hoje há em São Paulo várias opções, como esse mapa colaborativo demonstra.

Você consegue imaginar a cena de um profissional levando seu escritório numa mochila para um starbucks, se esse ‘escritório’ todo for um celular e um notebook? Eu consigo. E se for um desktop completo, com monitor CTR e demais periféricos? Ai é complicado, exagerado e ninguém faria isso, certo? Errado. Veja fotos e vídeos de gente trabalhando no starbucks com desktop e tudo! Surreal.

E com certeza estas pessoas não estão pensando em manter relações sociais ativas, só querem mesmo comprar um frapuccino e ganhar conexão com internet. Claro, eles não vivem em São Paulo: aqui tem quem tenha medo de andar com o note escondidinho na bolsa, imagina carregar um PC Desktop completo? Medo.

22FebO Atari está de volta!

Não estou falando daquele vídeo-game super velho que pode ser emulado em qualquer PC. Estou falando de um Atari único. O Atari Club, que reabre este fim de semana em novo endereço depois de quase 2 anos de hiato (“agradecimentos” à prefeitura paulsitana). Se você tinha uns 18 anos em 2006, ano em que a casa fechou, provavelmente sabe a relevância de uma notícia destas. Se você não está entendendo nada, vou tentar explicar, mesmo sabendo que não é fácil.

Apesar de ser reaberto no Ipiranga, o Atari ficava entre os Jardins e a Consolação, na Alameda Lorena. Como a maioria das casas da região, atraia um público ‘estranho’, hoje rotulado de ‘modernos’ embora na época ninguém soubesse como chamar aquela molecada com pinta de roqueiros mas de roupas pretas e coloridas, franjões na cara e muito mas muito delineador. Alguns arriscam dizer que foi a primeira balada emo da cidade, algo para se fazer tarde da noite, já que no Hangar 110 os melados shows acabavam cedo.

Como chegar lá? Saia do metrô consolação, pare no Pão de Açucar da Al. Santos, beba algo alcoolico por 1h, encontre os amigos e vá reto, siga o barulho e as pessoas.

Ao entrar no sobrado onde o Atari ficava, era-se recebido com música que vairava de acordo com o dia. Nas quintas-feiras da festa orgástica o som era mais animado e extrovertido. Nos tradicionais sábados, muitas coisas que na época eram novidades aqui como Jimmy Eat World, Strokes e Stripes davam o tom da bem frequentada pista. Mas nem só de pista e bar era feito o Atari. O banheiro misto e a Dark Room, que por um tempo teve máquinas de fliperama, eram tão animados quanto o dance floor.

Essa animação, claro, envolvia muita saliva. Um pequeno exemplo semi-real disso são as cenas do livro Fugalaça que se passam num tal de Pac-Man (oi? referência obvia). Mas pequeno mesmo; no Atari alguns conceitos que são padrões vigentes aqui fora, como monogamia e heterosexualismo eram só mais uma opção lá dentro. O vale tudo lá era na música, na roupa e nas paixões; e tendo um público adolescente, pode-se imaginar a intensidade das paixões e grandes amores que começaram e acabaram alí. Se sua imaginação é fraca, a comunidade da casa no orkut ajuda.

Taí a receita de sucesso: era um lugar que fazia algumas pessoas se sentirem melhores, menos estranhas e mais felizes. Não todos, por isso é um típico caso de ‘amo ou odeio’ (tal qual A Lôca, dizem); e o tanto de amo é tanto que eu no auge dos meus vinte-poucos-anos imagino que se essa volta não for um fracasso, daqui uma decáda iremos falar do Atari como ouvi tanta gente de trinta-e-poucos falando com carinho e saudosismo da Toco ou da Overnight.

Bom, é isso ai que está voltado: farra, música, tequilas e até a adolescência, parece. Preparem os All Stars, já que a casa volta com as festas Orgástica, Circuito Boobbaloo e a matinê Converse Party e bora para a festa.

Atari Club
Reabertura: 23/02/2008
Rua Vergueiro, 6386 (perto da estação de metrô Alto do Ipiranga)

Twitter @jess_

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  • @nagueva se o blue bus é um site de merda, como tanta gente lê e como se tornou tão relevante? se bem que eu acho só ele uma revista caras.
  • @lisie eu também ainda não tinha visto a Maisa na desciclo. amay >.<
  • @ronaldrios a grande piada do #2 vai ser que os paulistas não vão poder ver, já que a telefonica acabou com nossa internet.
  • @pattoli @flaviadurante antes que o mundo exploda de vez, DELETTI na sexta e amanhã vamos ficar em casa, fingindo que é sabado.

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  • Marcel Souza: Olá Jess. Muito bom seu artigo, eu tenho um blog sobre planos de saúde (negócios da família),...